36. OS SACERDOTES FILHOS DE NAZARÉ

Nazaré Paulista, em razão de sua origem, do seu nome e da sua padroeira, constituiu-se em um fértil celeiro de vocações sacerdotais. São inúmeros os seus filhos que dedicaram suas vidas à Igreja Cristã, quer sejam como sacerdotes ou como religiosas. Dentre outros nomes que se perderam na sua história, em especial nos seus primeiros  séculos de existência, citamos os seguintes sacerdotes, filhos de Nazaré:

  1. Padre SALVADOR CARDOSO DE OLIVEIRA
  2. PADRE BERNARDINO DE ALMEIDA
  3. PADRE ANTONIO GONÇALVES DE OLIVEIRA
  4. MONSENHOR ANTONIO SÉRGIO GONÇALVES
  5. PADRE FRANCISCO RODRIGUES DOS SANTOS
  6. PADRE EMYGDIO JOSÉ PINHEIRO
  7. BISPO JOSÉ MARIA PINHEIRO

1- Padre SALVADOR CARDOSO DE OLIVEIRA

          Nascido e batizado em Nazaré no ano de 1692, filho de Manoel Preto de Oliveira e de Izabel  Cardoso, residentes na Freguesia. Teve como irmãos, Manoel Preto Cardoso, Luiz, Manoel e  João do Amaral Cardoso, e José Nogueira Cardoso, todos com descendência em Nazaré e Atibaia.

         Foi vigário em Atibaia no período de 1724 a 1737, onde granjeou muita simpatia. Em março de 1721, o então vigário de Atibaia, padre Ignácio Xavier Moreira, em seu relatório, dizia da indigência e da miséria em que vivia o povo naquela época, visto que o padre Salvador, seu antecessor, não havia podido cobrar os emolumentos que lhe eram devidos pelo povo, e assim escreveu:

 :…”declaro que o padre Salvador Cardoso de Oliveira, para os seus paroquianos de eterna memória, parocho que muitos annos governou espiritualmente este dito povo, a mim affirmou haver perdoado por esmola e pela summa pobreza do mesmo povo, a quantia de 400$000 e acabando mesmo o seu tempo ficou ´por um rol por onde constava se lhe era devedor por parte do mesmo povo a mesma quantia acima a qual nunca me constou cobrasse antes do fallecimento do dito padre, e  também se perdoaram a tantos pobres quantos eram os que constavam do mesmo rol a dever…”

         O historiador Waldomiro Franco de Oliveira, em seu livro “História de Atibaia”, edição de 1950, à página 162, assim se refere ao que escrevera o padre Xavier:

...”A certidão do padre Xavier serviu para por em relevo não pròpriamente a miséria e a indigência da Freguesia, e sim para ressaltar a piedade cristã e o espírito verdadeiramente humanitário dos antecessores do padre Xavier no paroquiato atibaiano. O padre Salvador Cardoso – o abençoado do povo – como era conhecido, dele já tínhamos as mais elogiosas referências…”              desconhecem-se as datas de ordenação e falecimento desse ilustre padre nazareano

   2- Padre BERNARDINO DE ALMEIDA

        O pouco que se sabe desse padre nazareno, é que era filho de João Preto de Oliveira e de Maria de Almeida, residentes em Nazaré, primo do padre Salvador Cardoso e que foi seu coadjutor na paróquia de Atibaia. O autor Waldomiro Franco, em seu livro citado, à página 127,  a ele se refere como padre Bernardino ou Bernardo de Almeida. O linhagista Souza Leme o cita com o nome de Gonçalo, antes de se ordenar (S.L. vol. 8,234).

         Fomos encontrar o seu nome correto no Livro nº de Registro de Batizados da Paróquia de Nazaré, quando se verifica que o padre Bernardino de Almeida foi vigário da Freguesia no ano de 1719, aqui regressando no ano de 1736.

   3- Padre ANTÕNIO GONÇALVES DE OLIVEIRA

       Nasceu em Nazaré Paulista em 2 de fevereiro de 1843, e faleceu em 6 de outubro de 1908. Filho de Joaquim Gonçalves de Oliveira e de Maria Josepha das Dores.

      Foi vigário de Nazaré de 1870 a 1872, e de 1872 a 1905, em Santo Antônio da Cachoeira (atual Piracaia).

     Antônio Ferreira de Almeida em sua obra “História do Município e Comarca de Piracaia”, às páginas 117 e 118, relata os seguintes dados do padre Antônio Gonçalves de Oliveira:

     “Recebeu a tonsura e as ordenações menores na Capela do Palácio Episcopal a 18 de janeiro de 1866, sendo-lhe conferidas pelo exmo. e revmo.  Sr. D. Sebastião do Pinto Rego, como também a de subdiácono a 14 de outubro de 1867, na capela do Seminário Episcopal.

      Recebeu a ordenação sacerdotal das mãos do exmo. Sr. D. Pedro Maria de Lacerda, na capela do seminário de S. José, no Rio de Janeiro, a 23 de maio de 1869, por se achar vaga nesse tempo a Diocese de São Paulo.

     Foi nomeado vigário de S. Antônio da Cachoeira em 21 de abril d 1872 em substituição ao finado vigário padre Antonio Alves de Siqueira.

     Cheio de uma atividade não vulgar, o revmo. Padre Antônio exerceu o seu parochiato desde o seu início prestando reais serviços públicos, razão porque foi exigido o seu concurso nas fileiras políticas do município (Piracaia), vida que abraçou sem quebra do cumprimento de seus deveres parochiaes.

    Assim é que se destacam de todos os seus feitos os seguintes:

      Em 1873, sob sua iniciativa e direção, construiu-se o cemitério de N. Senhora e S. Benedicto, cemitério que agora, devido ao grande desenvolvimento da cidade, foi extinto e substituído pelo que foi mandado construir pela municipalidade.

      Em 1874 tratou de reformar o compromisso da Irmandade do S. S. Sacramento, dando a esta uma nova organização que produziu benéficos resultados a Igreja.

     Em 1876 esforçou-se e tomou parte como procurador, na reinstallação da Caixa de Beneficência que desde então começou a funcionar com alguma regularidade.

     Em 31 de outubro de 1878 assumiu a gerência da mesma Caixa, cargo que exerceu com muito devotamento, fazendo com que a 28 de dezembro de 1880 fossem aprovados os respectivos estatutos da pia instituição.

     Em 1884 iniciou a construção da nova matriz, cuja pedra fundamental foi assentada em 13 de junho, sendo as respectivas obras executadas sob sua direcção, terminando em novembro de 1891, como já nos referimos nessa história.

     Há pouco tempo mandou reconstruir o frontispício da Igreja do Rosário, que ficou embellezada com duas torres.

Como político, o finado exerceu cargos de eleição, como sejam:

O de vereador da câmara, por parte do grupo opposicionista, desde janeiro de 1893 até janeiro de 1894; o de vice-presidente da câmara desde 1899 até 1902; o de presidente da câmara desde 1902 até 1905; e ultimamente o de intendente municipal”.

     Um padre filho de Nazaré, e que para orgulho de nossa terra e de nossa gente,   foi vigário, político  e governante de Piracaia. 

  4.- Monsenhor ANTÔNIO SÉRGIO GONÇALVES

       Nasceu em Nazaré e aqui foi pároco no ano de 1896. Após deixar esta paróquia, ocupou outros cargos até que foi chamado pelo monsenhor Benedito de Souza, Bispo do Espírito Santo, para ser o  secretário daquela diocese, cargo que ocupava no ano de 1926. O jornal “A Folha”, nº 37, de 7 de fevereiro de 1926, assim noticiou a visita do dito monsenhor à Nazaré, sua terra natal:

       “Em visita aos seus parentes e amigos esteve em nossa sociedade o Revmo. Mons. Sérgio Gonçalves. Mons. Sérgio foi ha 30 annos, vigário desta paróquia, que é também a sua terra natal. Nazareth, tendo um filho no leme do seu destino no caminho do sobrenatural, encontrou um verdadeiro pai de bondade ao excesso, que se sacrificava para fazer a felicidade de seus  parochianos . … Como sempre conservou aquelle coração aberto a todos, sem distinção, sempre o homem afável, accessível a todas as classes sociais. É mais uma glória para Nazareth um filho nas eminências do sacerdócio.”.

      5.– Padre FRANCISCO RODRIGUES DOS SANTOS

(ver postagem número 24)

6.- Padre EMYGDIO JOSÉ PINHEIRO

           Nascido em Nazaré em 15 de julho de 1900, filho de Salomão José        Pinheiro e de Anna Roza Pinheiro, irmão de Isolina e Cidoca Pinheiro e sobrinho de Antonio Bicudo e da professora Emília R. Leite.. Fez o curso primário em Nazaré e, em 1914 seguiu para Pirapora. Em 1920 entrou para o  Seminário Maior de São Paulo, onde se impôs pelo espírito de operosidade e disciplina, captando estimas geris, até a sua ordenação. Em janeiro de 1926 foi publicado o edital de proclama do então seminarista, sendo testemunhas do processo, Francisco Derosa, Joaquim Avelino Pinheiro e Luiz Rodrigues dos Santos. Ordenou-se em 15 de agosto de 1926, recebendo as ordens de sacerdote das mãos do Arcebispo Metropolitano. Em 21 de agosto de 1926 rezou a sua primeira missa, em Nazaré. Nessa ocasião saudou o novo sacerdote, outro padre nazareano, o padre Francisco Rodrigues dos Santos. No dia 24 de outubro de 1926, conforme noticiado pela “A Folha nº 74″,… a Academia de São Paulo, importante grêmio de homens illustres, prestou uma homenagem aos sacerdotes de 1926, no salão nobre do Seminário. Nazaré sente-se feliz e contente com mais essa homenagem que recebeu o seu filho padre Emygdio Pinheiro, nosso ilustre e assíduo companheiro de trabalho…”Em 1928 foi coadjutor da paróquia Santa Efigênia, da capital”.

  7- Bispo D. JOSÉ MARIA PINHEIRO

(ver postagem número 10 e 37)

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