26. NAZARÉ PAULISTA HÁ 60 ANOS – 1956 c

NAZARÉ PAULISTA HÁ 60 ANOS – 1956
Descrito pelo jornalista Barros Ferreira (*)
Publicado no jornal “O Estado de S. Paulo” -28-10-1956

Curiosidades, informações e afirmações a serem extraídas da reportagem (anexa) referente à situação da cidade e do município de Nazaré Paulista nos idos de 1956:

O nascimento e crescimento promissor:
– Povoação fundada pela fé, um presépio;
– Fundador Mathias Lopes, 1676;
– Pouso das penetrações pelo sertão, caminho das minas, trilha de ouro;
– Esteio da economia;
– Cidade velha, mas respeitável, auspiciosa e segura;
– Os arrozais, os cafeeiros e as árvores frutíferas;
– A abundância, a fertilidade, o abastecimento da capital;
– A Capela curada mais antiga da Diocese;
– Uma das oito freguesias de S. Paulo a terem Juiz de Vintena,
(S. Amaro, Guarulhos, Cotia, S. Miguel, Penha, Juqueri, Atibaia e Nazaré);

O passado estático
– Proximidade do centro de São Paulo, 44 km;
– A estrada Guarulhos-Nazaré;
– A pouca conservação, o revolucionário Miguel Costa,
– Os pinheirais, as araucárias, a rica flora;
– O desmatamento, o machado e o fogo;
– O carvão, a lenha, os fornos e os carvoeiros,
– A ferrovia que não veio; a fábrica Bata, Canedos, Piracaia;
– Os conflitos e desavenças políticas;
A situação estagnada e desoladora em 1950
– Nazaré, tão próxima, tão largada, tão esquecida;
– Imagem acabada de desolação e abandono;
– Cidade largada como uma “trincheira depois de um combate”;
– Os velhos sobrados de taipa, o musgo nas paredes;
– A Igreja inacabada, com uma só torre;
– A cidade fantasma;

-A ausência de assistência médica;

-As causas-mortis não esclarecidas

Cada uma dessas observações extraídas da reportagem de Barros Ferreira poderão servir como temas para uma abordagem mais profunda das realidades históricas do passado de nossa comunidade, e destinadas a serem pesquisadas por alunos, estudantes, professores e interessados em nossa história nazareana.

O futuro e o novo alvorecer Nazareano:
O dinamismo sócio-econômico-político-cultural da vida moderna já trouxe e continuará a trazer mudanças em nossa Nazaré nestas primeiras décadas do atual século XXI.
Costuma-se dizer que o desenvolvimento econômico de uma localidade caminha através de suas estradas. A duplicação da Rodovia Fernão Dias, a implantação e duplicação da Rodovia D. Pedro I atestam esse ditado. São roteiros que se cruzam de norte a sul e de leste a oeste.

Igualmente, a riqueza da natureza e da flora e a abundância de recursos hídricos acarretam o fluxo de visitantes e dos turistas. O represamento do Rio Atibainha, a efetivação do Sistema de Abastecimento Cantareira e nossas montanhas recobertas de remanescentes da Mata Atlântica atestam essa mudança. Tudo isso acarretou radical transformação na identidade do Município e na sua população.

Assim é que temos visto ultimamente um desenvolvimento crescente e em ritmo arrojado; cresce a população residente e mais ainda a dos proprietários de sítios, chácaras e casas “fins de semana” no entorno da represa. Multiplicam-se as Marinas para abrigarem as embarcações aquáticas, os restaurantes campestres, as chácaras de recreio e as pousadas.
Aumentaram as atividades hoteleiras, os estabelecimentos comerciais para a construção civil, a geração de empregos e a proliferação dos loteamentos.
Acresce-se a todo esse visual as nossas tradições festivas religiosas e folclóricas.

Assim, Nazaré Paulista, em contraposição aos aspectos negativos (**) relatados pelo jornalista Barros Ferreira no ano de 1956, apresenta hoje uma situação bem diferente, pois tem uma promissora nova fase de desenvolvimento municipal, na esperança de sermos um fértil polo de turismo rural, ecológico e religioso.
Necessário que nossos administradores públicos sejam efetivos responsáveis pelo planejamento urbano e rural e encontrem um equilibrado denominador entre o nosso desenvolvimento e a preservação das nossas riquezas naturais e do meio ambiente.
Cresçamos sim, mas sem destruirmos nossa natureza, e sem perdermos nossa característica de “Terra Abençoada”, um “Paraiso das Águas e da Fé”.

Nazaré Paulista, junho de 2016
Oscar Teresa Pinheiro do Carmo

* Miguel Ângelo Barros Ferreira,(Melgaço, Portugal, 07.09.1906 – S. Paulo, Brasil, 16.121996). Jornalista, escritor e tradutor. Autor de romances, biografias e estudos históricos. Publicou: “Meio século de São Paulo”-Edições Melhoramentos, 1954.
** O Professor e historiador Waldir Salvadore, residente em São Paulo e proprietário de residência aqui em Nazaré, entendeu que Barros Ferreira descreveu a nossa Nazaré nos anos de 1954, com uma visão poética, vista por um lado provinciano e embalada pela retórica triunfalista dos festejos do IV Centenário de São Paulo, da ” cidade que mais crescia no mundo” e que “não podia parar” e, sem ser uma crítica negativista.

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