29. A ILUMINAÇÃO E A ENERGIA ELÉTRICA EM NAZARETH

A Iluminação e a Energia Elétrica em Nazareth

Este importante fator de progresso, a energia elétrica, chegou à Nazaré em 28 de junho de 1927. Neste ditoso dia, às 18,00 horas, foi inaugurada a iluminação elétrica da cidade. A iluminação até esta data era feita através de lampiões de querosene pendurados nos postes, tendo o encarregado municipal a tarefa de acendê-los e apagá-los diariamente.
A energia era gerada e distribuída pela Empresa Força e Luz de Piracaia que tinha como Diretores os Srs. Thomaz da Rocha Cunha e o Dr. Domingos Matheus, ambos Piracaienses. A empresa implantou suas linhas de transmissão vindas pelo bairro do Tanque Preto. Até hoje ainda podem ser encontrados os postes de ferro e que eram trilhos de estrada de ferro. A estação receptora, onde situava o único transformador, ficava em um prédio construído nos fundos da casa de Clementino de Almeida Passos, (onde hoje se situa o Posto de Combustível Rondon) e que era o representante da empresa e funcionário encarregado da manutenção e cobrança da energia, função exercida no período de 1927 até 1943.

Em 1943, Clementino de Almeida Passos mudou-se para a casa onde se situa hoje a Pousada Rondon e a parte elétrica deixou de se situar em um dos cômodos da casa sendo construído um prédio nos fundos dessa casa, na Rua Coronel Benedito Bueno. Clementino trabalhou na empresa até 1950, quando passou a função ao perdoense Juvenal Bueno, conhecido como “Ná”. Em 1952 o representante da empresa passou a ser exercido por Juvenal Ponciano de Camargo.

Registros históricos de Atas da Câmara Municipal de Nazareth:

Em agosto de 1919 a Prefeitura procedeu o levantamento da planta da cachoeira existente no Bairro de Guaxinduva, no lugar denominado “Luiz Lopes” com o fim de aproveitar  a mesma cachoeira para a instalação de fora e luz para a cidade de Nazareth e para o Distrito de Perdões. Procedidos os estudos necessários, resultou que a dita cachoeira não oferecia aproveitamento por ser muito pouca água, insuficiente para produzir força e luz.

Em consequência, a Câmara indicou que fosse adquirida por indenização ou compra amigável dos respectivos proprietários  a cachoeira existente no Bairro do Atibainha, pertencente a D. Benedita Maria do Espírito Santo, D Maria Josepha de Jesus e aos herdeiros do falecido Benedito Martins. A referida cachoeira, de acordo com opinião de pessoas competentes teria força suficiente para a produção da energia.

Em abril de 1920 a Câmara aprovou o projeto de lei que autorizava o Prefeito a proceder por administração a execução da instalação da luz e força elétrica, sendo encarregado o Engenheiro eletricista Luiz Gonzaga Collangelo para a execução~dos seviços. Na mesma data a Câmara também aprovou a lei nº 77 de 12 de abril de 1920, autorizando o Prefeito a contrair empréstimo de 150.000$000 para esta execução, sendo que seriam emitidas 1500 letras ao portador, no valor nominal de cem mil reis cada uma, assinadas pelo Prefeito Municipal e pelo Presidente da Câmara.Em outubro de 1920 foi adiada a realização dos serviços para uma ocasião mais oportuna, tendo em vista não ter sido possível reunir o capital necessário.

Em janeiro de 1921 a Câmara mandou consertar os lampeões de Nazareth e de Perdões, aumentando-se  mais tres postes.

Em fevereiro de 1922 foi apresentada uma proposta pelo Engenheiro Nicolino  Micaratti para a instalação de luz e força elétrica, sendo remetida às Comissões. Em setembro de 1923 foi lida uma outra proposta apresentada pelo engenheiro Ernesto Viradens, residente na capital, propondo se a instalar força e luz, sendo enviada a comissão de Justiça para dar parecer.

Em abril de 1924 foi apresentada pela Empresa Elétrica de Piracaia, representada pelo seu gerente, Domingos Alves Matheus, proposta para a instalação de luz e força, mediante a concessão do privilégio de trinta anos. Igualmente a Empresa Elétrica Bragantina, pelo seu diretor A. Gordinho Filho, também apresentou idêntica proposta coma concessão de privilégio por 20 anos.

Finalmente, em 2 de junho de 1924, a Comissão aprovou a proposta da Empresa Elétrica de Piracaia, autorizando o Presidente da Câmara, Francisco Antônio Derosa, a assinar a escritura pública do contrato, com o privilégio de 20 anos. O contrato com 33 incisos foi assinado em 17 de junho de 1924.

A chegada da iluminação elétrica foi festejada na cidade, conforme registro no jornal A Folha nº 107:

“Luz eletrica – Conforme fora anunciado, realizou-se no dia 28 de junho p. passado, a inauguração da luz eletrica nesta cidade. A”s 6 horas, sob a presidência do cap. Messias de Carvalho e com a presença dos vereadores srs. Cel. Francisco Derosa, cap. João Pinheiro Mariano, cap. Bento Gonçalves de Oliveira Sobrinho e Generoso Antonio de Moraes, teve logar na Camara Municipal, uma sessão extraordinária sendo por todos os presentes assignado a acta. Nessa ocasião o nosso conterrâneo, tenente Joaquim de Almeida, em poucas palavras, fez sentir o povo, que se aglomerava no largo da Independência, o grande melhoramento que Nazareth foi dotado e bem assim, enalteceu a presença dos illustres emprezários e dos nossos dirigentes. Após essa cerimônias, a banda musical “Santa Cecília” executou lindas peças e em seguida foi servida ao povo, bebidas em profusão.” “A Folha, nº107, 10-julho-1927″

Este mesmo jornal publicou em sua primeira página efusivo artigo do Professor Licínio Carpinelli, sob o título “Fiat Lux” (faça-se a luz),onde enalteceu o acontecimento, o seu significado e a projeção de um esperado progresso para a cidade. Assim escreve:
“Fiat Lux – Velha e lendária cidade, a cavalleiro no dorso da montanha, Nazareth se destaca ao longe, no cocoruto, sorridente, com a sua egreja matriz imponente, reverberando á gloria do sol, e a casaria que se estende formando figuras bizarras.
O viajante, à distância avista a sua torre como que suspensa entre núvens e poz, vencendo um trecho da estrada que se desdobra em zigue-zague, contornando o sopé da montanha, attinge o ponto culminante, que parece um ninho de condor: Nossa Senhora de Nazaréth…

E assim termina o artigo do eloqüente articulista nazareano, que vivia em Atibaia:

“…Aspiração legítima da população, que também tem direito ao conforto, a luz elétrica em Nazareth é o maior factor da sua prosperidade embryonária. E na minha fantasia quiçá exagerada, prescruto o progresso que não tardará para a lendária villa de outrora: o ruido dos automóveis, de máchinas, indústria, o movimento sob formas variadas, a vida, emfim! Fiat Lux. Atibaia, 3 de julho de 1927″

João de Deus Silveira foi o primeiro encarregado da Empresa Elétrica de Piracaia em nossa cidade, conforme seu aviso publicado em 24 de julho de 1927:

“ Os srs. Consumidores de luz deverão fazer o seu pagamento no escriptório desta , `a rua do Commercio, até o dia cinco do mês immediato ao do consumo, para gozarem dos seguintes descontos…:

-Para as quantias  até 30$000, $400 por lampadas,

  -Para as quantias maiores de 30$000 ate 40$000, $500 por lampada,

  -Para as quantias maiores de 40$000, $600 por lampadas.

na falta do pagamento a luz será desligada. O Sub Gerente João de Deus Silveira.
Jornal “A Folha”, nº 108, de 24 de junho de 1927

Na década de 1960 a distribuição de energia elétrica passou para a responsabilidade do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), e, em 1971 a Companhia de Energia do Estado de São Paulo (CESP) assumiu este serviço, sendo posteriormente passada à ELEKTRO, Eletricidade e Serviços. Neste ano de 2016 a manutenção da iluminação pública passou a ser responsabilidade do Município que passou a cobrar uma taxa para tal encargo.

-Mantida a grafia dos artigos publicados.

  • Texto extraído e adaptado do livro prelo “De Nazareth à Nazaré”.

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