12 – NAZARÉ PAULISTA E OS SEUS CEMITÉRIOS

NAZARÉ PAULISTA E OS SEUS CEMITÉRIOS

  1. O Atual Cemitério

Ao final da Avenida Saudade, em uma das encostas do morro onde se situa a cidade, voltado para a barragem da Represa Atibainha, está situado o atual cemitério, administrado pelo Município, com 8.170 m2 de área, medindo 99 m de frente por 82 m de profundidade, com uma capacidade de 1854 sepulturas e cerca de 250 gavetas.

Ele conta com uma capela logo à sua entrada, suas ruas são retas e paralelas no sentido frente-fundos, com ruas transversais; conta também com dois ossuários, desativados, logo atrás da capela. Seus jazigos e túmulos são identificados pela administração através de quadras e lotes: em geral são simples, com pequenas lápides e inscrições identificativas do nome e datas de nascimento e do falecimento.

Prevendo-se o esgotamento de terrenos devido à procura de jazigos perpétuos, e na impossibilidade de aumentar-se a sua área, visto que o cemitério está circundado por áreas residenciais, foi adotada a forma de “muro com gavetas aéreas” na parte posterior do cemitério, com o fim de ampliar a sua capacidade.

  1. Os Cemitérios em 1900

Atual e único, entretanto esse não foi o primeiro cemitério e nem foi essa a sua primeira localização, pois Nazaré já teve seus antigos filhos enterrados em outros locais.

A folha dois do Livro Inventário das Alfaias e Patrimônio da Paróquia de Nazaré, consta o seguinte trecho do “Breve Relatório da Paróquia”, redigido pelo Cônego Manuel Vicente da Silva, Vigário Geral do Bispado em 1900: …”Conta esta Paróquia quatro cemitérios, todos pertencentes à fábrica; um está situado no perímetro urbano da Vila, outro no Santuário do Bom Jesus dos Perdões, um terceiro no bairro do Pião e, finalmente um no bairro do Ribeirão Acima (vulgo dos Machados), a 18 horas da Vila. Acham-se todos em bom estado de conservação…”.

O Cemitério de Perdões passou a ser administrado pelo Município de Bom Jesus dos Perdões por ocasião da sua emancipação municipal. O cemitério do bairro do Pião teve a sua área ampliada em 1921, quando a Câmara aprovou a doação de terreno anexo, doado por José Francisco e sua mulher, sendo desativado quando o bairro passou a pertencer ao Município de Piracaia, embora ainda sejam preservado e, visíveis os seus antigos jazigos. Quanto ao cemitério do bairro do Ribeirão Acima, não se tem notícia de sua localização e se de fato existiu, podendo ser objeto de engano por parte do Padre que fez o relato.

  1. O Interior da Igreja

Sendo Nazaré Paulista originário de antigo povoado em 1676, e tendo como marco de fundação a sua primitiva capela, teve os seus primeiros filhos falecidos, com grande probabilidade, os seus fundadores e os seus primeiros padres, enterrados no interior da ermida, no seu chão de terra batida. Este costume era adotado pelos demais antigos povoados, e era regra enterrar-se os cidadãos mais notáveis mais próximos do altar-mor.

No ano de 1950, por ocasião da grande reforma de nossa Igreja, efetuada pelo Monsenhor Afonso Kurschewski (cujos restos mortais estão depositados em urna encravada na parede lateral esquerda do interior da Igreja), ao ser substituído o antigo piso de taboas de madeira pelo piso cerâmico, foram descobertos inúmeros ossos humanos, vestígios de restos mortais outrora ali enterrados. Eu e meus colegas contemporâneos de juventude daquela época, Nestor, Vicente e outros, éramos escalados pelo Monsenhor para carregar sacos com aqueles ossos e transportá-los até o ossuário do cemitério.

  1. O Campo Santo ao redor da Igreja

Com o decorrer do tempo e com o aumento do povoado e da sua população, e com o advento inexorável dos falecimentos, foi expandido o local dos enterramentos dos corpos para a parte exterior e contígua à Capela. É grande a possibilidade de que no atual pátio da Igreja estejam enterrados os despojos de antigos nazareanos. Contou-me o Sr. Ari Benedito Passos (já falecido)  que foi sacristão da Igreja pelos idos de 1940, voltando a sê-lo em 2000, seu irmão Lilo e Edson Quírici, que por ocasião da ereção do antigo coreto, o qual foi demolido em 1950, no centro frontal do pátio da Igreja, durante as escavações foram encontradas várias ossadas humanas.

A escritora nazareana Maria Aparecida Lopes nos informou ter notícia de que a ladeira da Rua Padre Nicolau, onde reside e que outrora era propriedade de Miguel Bianchi, fundos da antiga loja e venda de Miguel Hacl, também foi local destinado a sepultamentos.

  1. O Primeiro Registro de Óbito na Antiga Nazareth

O livro nº 1 de óbitos da Paróquia de Nossa Sra. de Nazareth, assim registra o primeiro nazareano falecido no ano de 1690:

“Francisco Bicudo Siqueira

Aos oito dias de janeiro de mil seiscentos e noventa faleceu da vida presente Francisco Bicudo de Siqueira, o qual deixou por testamenteiros João Barreto e Martins de Siqueira Antony, filhos do mesmo defunto. Deixou para sua alma oito missas.”

  1. Joseph do Espírito Santo
  1. A Carta Régia de 1801

Em 1801, na época do Brasil Imperial, o Príncipe Regente D. Pedro, expediu uma Carta-Régia, reprovando esse costume dos povoados de enterrarem seus entes falecidos no interior das capelas ou mesmo ao redor delas e, muitas vezes, quase a flor da terra sem razoável profundidade. Recomendava, ou ordenava, que as igrejas adotassem a construção de seus cemitérios ao ar livre, descoberto e distante das residências e aglomerações urbanas.

  1. O Cemitério Paroquial

Desconhece-se a data da construção do antigo cemitério, chamado Cemitério Paroquial, ou Cemitério da Fabrica da Igreja. Sabe-se que ele não era murado, tinha um grande cruzeiro de madeira e uma pequena capela situada onde hoje funciona a creche municipal e outrora foi sede da Assistência Social. O local das sepulturas abrangia a área onde hoje está o Ginásio de Esportes até o Velório Municipal, a Delegacia de Polícia e a Câmara Municipal. Ainda hoje é possível constatar vestígios de caixão de defunto e ossos humanos nos barrancos da descida do morro do lava-pés.

  1. A Interdição do Cemitério Paroquial

Na sessão da Câmara do dia 22 de julho de 1918 foi apresentado um projeto de lei pelos vereadores João Antônio Pinheiro Mariano e Bento Gonçalves de Oliveira, pedindo a interdição do Cemitério Paroquial. E foi aprovada a Lei n° 754, de 16 de setembro de 1918, que assim estabelecia em seu artigo 1º: Ficam, como medida de ordem pública e sanitária e pelo prazo de cinco anos, a começar no dia 1º de dezembro do corrente ano (1918), proibidos os enterramentos no cemitério da Fábrica Paroquial.

  1. As Multas

Aquela mesma lei estabelecia as seguintes multas:” As contravenções à presente lei serão punidas com a multa de 10$000 aplicada individualmente contra cada um dos condutores dos cadáveres sepultados no dito Cemitério, ficando o fabriqueiro da Igreja, ou quem estiver encarregado da administração, multado em cada caso de transgressão em 50$000.

  1. A Construção do Novo Cemitério Municipal em 1918.

Interditado e com a proibição de sepultamentos no Cemitério Paroquial, a Prefeitura deu início à construção do atual Cemitério, neste mesmo ano de 1918, e que ficou sendo chamado de Cemitério Municipal. Na sessão da Câmara do dia 22 de julho de 1918 consta um requerimento solicitando uma gratificação pelo aumento de serviço na empreitada das obras do cemitério, com a construção de uma privada com o respectivo poço. Nicolau Bicudo foi o construtor do Cemitério Municipal.

  1. A Rejeição e Discordância

As medidas adotadas pela Câmara em relação ao Cemitério Paroquial provocaram uma grande reação contrária pela população, mormente pelos católicos os quais eram a quase totalidade dos habitantes da época. Todos queriam e desejavam enterrar os seus mortos no Cemitério da Igreja, considerado como “campo santo”, abençoado e considerado caminho e entrada para o céu. Em 2 de janeiro de 1919 a Câmara indeferiu um requerimento da Irmandade do Santíssimo Sacramento da cidade, que pedia permissão para sepultar os seus membros no Cemitério da Fábrica Paroquial. Conta o meu sogro, José Guimarães dos Santos, que um dos primeiros a ser enterrado no novo Cemitério Municipal, contra a vontade de seus parentes, foi o avô de sua esposa, Bento Barbosa, e que foi necessária a intervenção da polícia local, a pedido do Prefeito, para obrigar o enterramento no novo local.

Em 1930 a Prefeitura publicou edital notificando os interessados no translado dos restos mortais de seus parentes para o novo cemitério, recebendo o terreno, gratuitamente e por 10 anos. Não havendo interessados, os ossos seriam depositados nos ossuários.

  1. A Aquisição do Terreno do Cemitério Paroquial

Em 15 de dezembro de 1924 a Câmara autorizou a aquisição pela Prefeitura do terreno do antigo Cemitério da Igreja, pela quantia de 2.600$000 mil réis, conforme proposta aceita pelo Exmo. Revmo. Sr. Arcebispo de São Paulo. Nesta época ainda não existia a Diocese de Bragança. O Padre João B. Camargo, pároco de Nazaré naquele ano oficiou ao Arcebispado pedindo licença para a venda do Cemitério da Igreja, por se achar em deplorável estado de conservação, Afirmou no ofício que a Prefeitura se comprometia a transladar todos os restos mortais e lhes dar sepultura reservada.

  1. As Muretas nas Sepulturas

Em 1º de dezembro de 1919 a Câmara aprovou disposição autorizando os interessados em construir muretas ao redor das sepulturas, a fim de embelezar o Cemitério, para isso tendo que pagarem a importância de 10$000 cada cinco anos, e findo esse prazo, novo pagamento deveria ser feito para continuar com direito a sepultura.

  1. O projeto da Bela Avenida

O jornal “A Folha”, semanário de Nazaré, publicou esta nota: “Brevemente o Cemitério velho será transformado em avenida e jardins, ficando aquela parte como um lugar de passeio e embelezamento da cidade. A avenida será feita de palmeiras imperiais, cuja majestade será sem igual entre os ornamentos dos grandes centros de civilização”.

O jornal se referia a Avenida Saudade, prolongamento da Praça Álvaro Guião. Mas nunca foram plantadas as mencionadas palmeiras. E o antigo cemitério serviu por muito tempo como o Campo de Futebol da cidade, e local alugado para a instalação de circos, rodeios e parque de diversões, por ocasião das festas da cidade.

  1. Os “Fabriqueiros”

Essa era a antiga denominação do arrecadador e administrador dos bens e rendimentos do Cemitério da Igreja. Corresponde ao atual Zelador de Cemitério, e que, em tempos idos era acumulado com a função de coveiro.

Encontramos nas atas das sessões da Câmara o pagamento de zeladores do Cemitério Municipal:

–          Em 1925 – João Correia Dias

–           Em 1926- Francisco Tognini

Mais recentemente tivemos os seguintes zeladores: Alcides Bernardo, Pedro Nascimento, José Guedes, Teófilo, Roberto Antônio Pinheiro etc.

Atualmente é encarregado da administração do Cemitério o funcionário Samuel Batista de Araújo.

  1. O 2º Cemitério Municipal

Estando em fase de esgotamento das quadras e lotes do cemitério e a fim de se evitar o incremento das gavetas aéreas, foi aprovada no ano de 2006 a Lei 670/06, pela qual foi feita a aquisição de um terreno de 16.911 m2 sito na Rua Massaud Hacl Neto, no Bairro do Vicente Nunes, pelo valor de R$ 169.000,00, onde foi construído o segundo Cemitério Municipal de nossa cidade, denominado Cemitério “Jardim das Oliveiras”.

Ele foi inaugurado em 02 de setembro de 2012, com área murada, contendo capela, sanitários e escritório e tendo como regra a não construção de monumentos, com simples lápides de concreto na superfície do terreno. Nesta mesma data também foi construído o Velório Municipal, ladeando a sede da Câmara Municipal e em frente à Creche “Gonçalo Pinheiro”.

O primeiro corpo enterrado foi de Manuel Tarino de Souza, em 20/09/2012.

 

Assim, o nosso Município conta com um moderno, bonito, racional, modesto, simples, acessível, adequado e novo local destinado ao repouso e descanso eterno de todos nós, atuais nazareanos, candidatos inexoráveis a um dia adotarmos aquela morada.

TEXTO EXTRAÍDO E ATUALIZADO DO LIVRO-PRELO “DE NAZARETH A NAZARÉ PAULISTA”

DESTE AUTOR.

Nazaré Paulista, maio de 2016.

Oscar Teresa Pinheiro do Carmo

One thought on “12 – NAZARÉ PAULISTA E OS SEUS CEMITÉRIOS

  1. Estimado Oscar, permita assim tratá-lo, é que, gostei tanto da sua matéria, que não poderia deixar de registrar a minha satisfação. Li-a toda.

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