14 – A FERROVIA QUE VIRIA À NAZARÉ, MAS NÃO VEIO

A FERROVIA QUE NÃO VEIO A “NAZARETH”

 

  1. AS COGITAÇÕES:

O nosso Município de Nazaré Paulista, ainda com a denominação de “Nazareth”, foi cogitado por três vezes em ter o seu território cortado por uma ferrovia, ou seja, ser ligado por uma estrada de ferro e em sediar uma estação férrea. Nenhuma das tentativas, ou dos projetos foram levados a efeito ou implementados.

  1. JUNDIAÍ – CENTRO FERROVIÁRIO:

A Província de São Paulo, por ocasião da Proclamação da República (1889), expandia celeremente a rede ferroviária paulista. Jundiaí, importante município do interior paulista, se distinguia por essa época como um pujante centro ferroviário, contando com quatro companhias férreas: a Cia. Paulista de Estrada de Ferro (1872), a São Paulo Railway (1867), a Cia. Ytuana de Estradas de Ferro (1873) e a Estrada de Ferro Bragantina (1884).

  1. A ESTRADA DE FERRO BRAGANTINA:

Esta linha ligava a cidade de Bragança Paulista a Jundiaí, interligando-se, portanto com a linha São Paulo Railway, que saindo da Estação de Campo Limpo unia o interior à capital e ao litoral do Estado. Ela foi inaugurada em 15 de agosto de 1884 e contava com as estações de Campo Largo, Maracanã, Caetetuba, Tanque, Taboão e Bragança. Esta ferrovia foi comprada pela São Paulo Railway em 1903, e em 1946 foi encampada pela União.

  1. OS RAMAIS DA BRAGANTINA:

A Estrada de Ferro Bragantina teve sua linha prolongada em dois sentidos; em 1913 inaugurou-se o prolongamento da linha tronco até o Município de Vargem, na divisa com o Estado de Minas Gerais, e em 1914 inaugurou um ramal ferroviário até a cidade de Piracaia, com as estações intermediárias de Atibaia, Guaxinduva, Canedos, Batatuba, Arpuí e Piracaia. Em 21 de junho de 1967 a Estrada de Ferro Bragantina foi desativada, por apresentar prejuízo.

  1. PIRACAIA, E NÃO NAZARÉ:

 Perdia-se a primeira oportunidade de Nazaré ser dotada de uma via ferroviária. E Nazaré era por essa época um importante fornecedor de madeira, na forma de lenha e de carvão vegetal, que abastecia a então crescente demanda desse combustível sólido pela indústria paulistana. Contam os nazareanos antigos, que a estação de Guaxinduva armazenava em seu pátio, “montanhas” de lenha proveniente de nosso Município, com destino a São Paulo. Conta-se também que nessa época, com a abolição da escravatura, tivemos a chegada de muitos imigrantes italianos, que se dedicaram à derrubada de mata primária, ainda virgem, e a sua transformação em carvão vegetal. Um núcleo dessa atividade deu-se no atual bairro do Cuiabá. Nazaré foi preterida e Piracaia a escolhida, em razão da indústria de calçados implantada em Batatuba, e da produção leiteira piracaiense.

  1. A PROJETADA LINHA CAMPINAS-SÃO SEBASTIÃO:

A Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, sediada no Município de Campinas, projetou a construção de uma linha ferroviária que ligaria Campinas ao litoral norte do Estado, passando pela região de Atibaia, Nazaré, Jacareí e descendo a mata atlântica até o porto de São Sebastião. Pretendia-se com essa linha, uma opção de escoamento da produção agrícola da região campineira, em especial o café, para exportação portuária por São Sebastião, e não por Santos, através da São Paulo Railway. Com a construção da Estrada de Ferro Bragantina, a Companhia Mogiana se viu impedida de realizar aquela linha projetada, em virtude de exclusividade de exploração por zona. Esvaia-se a segunda oportunidade de um transporte ferroviário em nosso Município.

  1. A PROPOSTA DE LINHA GUARULHOS-NAZARÉ:

Em setembro de 1919 um engenheiro, Dr. Carlos Martins Hauck, apresentou um requerimento à Câmara Municipal de “Nazareth” pedindo concessão para construção e exploração de uma estrada de ferro, a vapor ou elétrica, que ligaria a nossa cidade à Capital do Estado. A Câmara, em sessão do dia 1º de outubro de 1919, aprovou o requerido, segundo o traçado e descrição anexados ao requerimento, impondo ao concessionário a sujeição às condições constantes do Ofício Circular nº 1047 da Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas do Estado, que estabelecia o transporte gratuito às malas do correio e de seus condutores. (Livro de Atas da Câmara nº 18, fls 53 a 58). Não se sabe o motivo pelo qual este projeto não se concretizou, mas sabe-se da existência de movimentações de terra nos bairros do Cuiabá e em Capelinha, vestígios antigos da intentada ferrovia.

  1. CONCLUSÕES:

Inegavelmente a dotação de uma ferrovia em nosso município representaria uma mola impulsionadora a um rápido desenvolvimento e a um desejável avanço na trilha do progresso, com o advento de inúmeras melhorias e vantagens locais. Entretanto, nunca é demais repensar e, com certa dose de pessimismo, deduzir se a estrada férrea tivesse acontecido, também não aconteceria uma maior e mais rápida degradação ambiental de nossa fauna e flora, com os desmatamentos irresponsáveis da nossa outrora tão rica mata atlântica; se não teríamos perdido há muito tempo a nossa característica bucólica e a simplicidade de uma pacata, pacífica e acolhedora cidade interiorana.

Nazaré Paulista, maio de 2016

Oscar Teresa Pinheiro do Carmo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *