34. NAZARÉ PAULISTA & BOM JESUS DOS PERDÕES – Suas afinidades

NAZARÉ PAULISTA & BOM JESUS DOS PERDÕES  

                        SUAS AFINIDADES

 

 

Nazaré Paulista e Bom Jesus dos Perdões, ambos os municípios paulistas vizinhos, com territórios contíguos, situados na Região Bragantina, bem podem ter suas cidades chamadas de “cidades co-irmãs” em razão de suas afinidades e de algumas das suas características semelhantes. Também poderiam ser chamadas de “cidades irmãs” ou “cidades gêmeas”.

Todavia a terminologia de “cidades irmãs” foi oficializada mediante Portaria do Ministério da Integração Nacional como sendo as cidades cortadas pela linha de fronteira terrestre entre a divisa do Brasil com a de outras nações. Em 2016 foram consideradas 32 cidades brasileiras como sendo cidades irmãs, fronteiriças com outras cidades sul-americanas.

Também não poderão ser chamadas de “cidades gêmeas” por terem suas datas de fundação distintas, embora bem próximas na intercorrência temporal.

 

  1. A Antiguidade:

Ambos os municípios têm suas datas de fundação bastante remotas, sendo, ambos, considerados dos mais antigos municípios do Estado de São Paulo.

 Nazaré Paulista, fundado em 1676, estará comemorando neste ano de 2017 o seu tricentésimo quadragésimo primeiro aniversário de fundação, sendo o vigésimo terceiro município mais antigo dentre os 645 municípios paulistas.

São municípios do Estado De São Paulo com datas de criação mais antigas que a de Nazaré: São Vicente–1532; Santos-1534; S. André– 1533; S. Paulo-1554; Guarulhos – 1560; Itanhaém – 1549; Santana do Parnaiba – 1580; Sebastião -1636;  Iguape -1538 ; Cananéia – 1600; Itu – 1610; Mogi das Cruzes – 1601;  Guaratinguetá – 1630; Ubatuba – 1637; Taubaté – 1645; Jundiaí – 1651; Jacareí – 1653; Araçariguama – 1653; Sorocaba –                        1654; Atibaia – 1665; Tremembe´- 1672; Nazaré Paulista – 1676.    

Já Bom Jesus dos Perdões, fundado no ano de 1705, ou seja, vinte e nove anos mais tarde que a data de fundação de Nazaré, não deixa de ser considerado também, um do mais antigo município do Estado.

 

  1. A Religiosidade:

Tanto Nazaré como Perdões, assim simplificadamente chamados, tiveram desde suas origens suas histórias centradas nos princípios cristãos e nas suas igrejas o centro e o núcleo de seus modos de vida e de agir. A igreja católica exerceu a grande influência nestas duas cidades. A primeira preocupação de seus fundadores, dos primeiros habitantes do povoado, foi a construção de uma capela, sob a invocação de um santo, ou santa, que passaram a serem os padroeiros da localidade. E ao redor dessas capelas os habitantes passaram a construir suas casas.

Ambos os povoados tiveram suas primeiras e toscas capelas erigidas no ponto alto de uma elevação montanhosa, e banhadas em seus sopés pelo Rio Atibainha.

Nazaré Paulista adotou por sua padroeira e sua devoção, Nossa Senhora de Nazaré, e que tem atualmente a sua imagem, trazida de Barcelona, Espanha em 1916, centrada no altar-mor; e, Perdões adotou como padroeiro, o seu Santo Filho, O Bom Jesus.

Ambos os povoados e seus primeiros habitantes foram devotos, religiosos e festeiros; e assim têm sido desde os tempos remotos de suas primeiras capelas.

  1. Fundação bandeirantista:

A história da fundação dos primitivos municípios paulistas se caracteriza pela ação e pelo espírito aventureiro do homem paulista de então, do piratiningano bandeirante que não conhecia fronteiras e limites. Era o bandeirante desbravador que se aventurava pelo interior em busca do precioso ouro ou da captura de índios e assim ia desbravando e colonizando o sertão e fundando novos povoados.

Esta é a história dos povoados de Nazaré e de Perdões e de inúmeras outras cidades do interior paulista.  Bandeirantes saiam da então Província de São Paulo em direção às terras do interior. Uns subiram o Rio Tietê alcançando o Rio Paraíba, e outros em sentido oposto, pela Penha, Conceição de Guarulhos, desviando da Serra da Cantareira, atingindo a Mantiqueira e o rio Atibainha embrenharam-se nas matas do Itaberaba. Por aqui, em Nazaré, passaram e alguns pernoitaram, plantaram, pescaram, caçaram, daqui gostaram e aqui ficaram.

E foi assim que Mathias e Zuzarte Lopes fundaram Nazaré, e Bárbara Cardoso fundou Perdões.

 

  1. A evolução religiosa e política-administrativa:

Na área central dos povoados de Nazaré e Perdões construíram-se as capelas sob a invocação de um santo e padroeiro. Ao redor destas, as casas. Toda Capela necessitava da assistência de um sacerdote. Quando as capelas tiveram condições de manter um pároco (cura) mediante pagamento da côngrua anual, a capela recebia a denominação de “Capela Curada”, equivalente à Paróquia.

O povoado cresce e a Capela passa a ser um Distrito ou Freguesia. O termo Freguesia foi uma denominação empregada desde o início da colonização até a Republica, e a partir de então foi substituído pelo termo Distrito, como categoria imediatamente posterior a povoado.

Toda Freguesia deve estar subordinada a uma Vila, ou seja, seu território deve estar contido no termo de uma Vila, já que não possui autonomia político-administrativa. A freguesia para receber as prerrogativas de Vila, precisa de um diploma legal e dispor de Igreja, Câmara, Cadeia e o Pelourinho. A partir de 1889, a denominação Vila é substituída por Município.

 

  1. Quadro das evoluções e denominações:

Ambos os municípios tiveram ao longo de suas existências as seguintes emancipações e denominações:                      

                                                                                                                                                         Nazaré                                Perdões                                                                                                           

-Povoado: Nossa Sra. de Nazaré– fundação                                                                   1676    

                 : Senhor Bom Jesus dos Perdões – fundação                                                                                               1705

-Capela Curada N. Sra. de Nazareth                                                                                   1682

-Paróquia – 1ºs Batizados                                                                                                       1686                                    1716

-Freguesia de Nazareth (município de S. Paulo)                                                           1731                                                                                                                                                                   

-Freguesia de Nazareth (transferida para Atibaia)                                                      1769

-Freguesia do  Bom Jesus dos Perdões  da Cana Verde                                                                                            1873

-Distrito de Ajuritiba                                                                                                                                                              1944

-Distrito de Bom Jesus dos Perdões                                                                                                                                 1948

-Vila (Município) de Nazareth                                                                                            1850                                    

-Cidade de Nazareth                                                                                                              1906

-Município de Nazaré Paulista                                                                                          1944

-Município de Bom Jesus dos Perdões                                                                           1959

 

  1. Os Bispos, filhos da terra:

Nazaré e Perdões foram abençoados por contarem dentre muitas ilustres pessoas que nasceram em suas terras, dois padres que alcançaram altas posições eclesiásticas e sagraram-se Bispos, atualmente Bispos Eméritos.

Bom Jesus dos Perdões tem a honra de contar com um de seus filhos o Exmo. Revmo. Dom Antônio de Souza, filho dos perdoenses Sebastião de Souza e Sebastiana Gonçalves de Souza, ordenado sacerdote em1º de julho de 1956 e nomeado Bispo em 13 de fevereiro de 1974, sendo Bispo Diocesano de Assis.

Nazaré Paulista teve vários de seus filhos ordenados sacerdotes (padre Salvador Cardoso de Oliveira, Bernardino de Almeida, Antônio Sérgio Gonçalves, Francisco Rodrigues dos Santos, Emydgio José Pinheiro e José Maria Pinheiro) e dentre estes um atingiu o alto cargo de Bispo. Dom José Maria Pinheiro, filho de Joaquim Pinheiro Mariano e Ramira dos Santos Pinheiro, nascido em Nazaré em 31 de julho de 1938, ordenado padre em 27 de dezembro de 1964 e bispo em 19 de abril de 1997, sendo Bispo Auxiliar de Guajará-Mirim em Rondônia, Bispo Auxiliar de São Paulo sendo designado Vigário Episcopal da Região do Ipiranga e Bispo Diocesano de Bragança Paulista.  

 

 

  1. As festas Religiosas:

Nazaré e Bom Jesus dos Perdões com, o seu povo eminentemente católico festejava os santos e as datas magnas da cristandade. Em Nazaré têm-se notícias e lembranças das Festas da Santa Cruz, de São Benedito, São Lázaro, Santa Luzia, Santa Terezinha, São Sebastião, Santo Antônio, Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora da Conceição etc.

Em ambas as cidades eram festivamente celebradas as festas de “Corpus Christi”, a Semana Santa e as festas natalinas. Mas, desde suas fundações, sempre se festejou com muita pompa e devoção, com repercussão em municípios vizinhos e contando com romeiros de distantes localidades mineiras, as solenes e tradicionais “Festa do Divino” em junho, e “Festa da Padroeira” em novembro. em Nazaré, e a Festa do Senhor Bom Jesus em agosto, em Perdões.

 

  1. As Imagens Padroeiras:

A igreja de Nazaré Paulista tem como padroeira Nossa Senhora de Nazaré cuja imagem primitiva foi trazida pelos fundadores e tinha 90 cm de altura. Em 1916 foi encomendada da Espanha, Barcelona, a atual Imagem constante no nicho do altar com 1,30 m de altura. A sua chegada à Paróquia aconteceu em 10 de setembro de 1916, vinda de navio até Santos, por via férrea até Atibaia/ Guaxinduva, de trólei até a Capela do Divino e daí, conduzida em procissão até a Matriz por “uma massa de povo tão extraordinária não vista nem nas maiores solenidades”. A bonita imagem de nossa Padroeira ostenta uma característica diferenciadora por carregar seu Santo Filho no seu lado direito.

O Santuário de Bom Jesus dos Perdões tem por seu padroeiro Jesus, com a majestosa imagem do Senhor Bom Jesus dos Perdões, também oriunda da Espanha em 1896. Anteriormente a imagem era pequena e foi doada ao Santuário pelos Padres Redentoristas.

A Igreja de Nossa Senhora de Nazaré contempla em seu altar secundário, à esquerda da nave principal, uma imagem do Senhor Bom Jesus.

 

 

Esperanças conclusivas:

 

É de se esperar que estes laços de parentesco e referências históricas comuns possam direcionar os dois municípios a uma interação e integração econômica, cultural e turística espontânea, com laços de cooperação e de políticas públicas conjuntas, incrementando a vocação turística religiosa, o comércio bilateral, a oportunidade de trabalho com fluxo comum de trabalhadores, a prestação mútua de serviços assistenciais, a execução de obras em parceria à exemplo da gestão compartilhada dos resíduos sólidos e, sobretudo dos laços de aliança, cooperação, amizade e fraternidade que devem reinar entre dois irmãos. 

 

Oscar Pinheiro, agosto de 2017.

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