24. FRANCISCO RODRIGUES DOS SANTOS – O “Padre Chico”

FRANCISCO RODRIGUES DOS SANTOS – (Padre Chico)

           “Um dos mais ilustres Filhos de Nazaré”

                         1887 – 1960


Nascimento: 03 de fevereiro de 1887

Ordenação:   1910

1ª Missa:        Igreja Sâo Cristóvão, São Paulo

Diretor do Colégio Diocesano São Luiz de Bragança:  -1912

Paróquia São João Batista de Atibaia:  1916-1934

1ª Biblioteca Pública de Atibaia: 1917

Inauguração do Santo Cruzeiro – Atibaia – 1922

Paróquia Nossa Sra. De Nazaré –Nazaré Paulista:  1927-1933

Nomeado Cônego Honorário: 1927

Fundação da Vila São Vicente de Paulo: -Atibaia-  1930

Deixa o Ministério Sacerdotal: 1933

Falecimento: 11 de setembro de 1960

 

Nazareano, filho do Coronel Antônio Rodrigues dos Santos e de Maria Tereza dos Santos, irmão de Carolina Rodrigues dos Santos que foi casada com o tenente João Rodrigues dos Santos Sobrinho, Natural de Nazaré Paulista, nascido em 03 de fevereiro de 1887 e falecido em 11 de setembro de 1960, em Avaré, SP.

Ordenou-se sacerdote da Igreja católica em 1910 pelo Bispo Dom José de Camargo Barros, de São Paulo. Celebrou sua primeira missa na Igreja de São Cristóvão, no Seminário da Av. Tiradentes, Bairro da Luz, em São Paulo.

 Além de excepcional ministro sacerdotal, doutorou-se em filosofia acumulando função de excelente professor em vários estabelecimentos de ensino. Transferido para Bragança Paulista, foi diretor do Colégio Diocesano São Luiz até 1912. Falava, lia e escrevia em 12 línguas.

 Em 1916 foi nomeado Vigário da Paróquia de São João Batista de Atibaia, onde permaneceu até 1934. Em 1927 foi elevado à posição de Cônego Honorário pela Sé de Campinas por ato do Bispo D. José Maurício da Rocha.

No dia 22 de novembro daquele ano, a Câmara Municipal de Nazaré exarou em ata um voto de louvor ao novo Cônego, assim transcrita: “Considerando que o ilustre e revmo. Padre Francisco Rodrigues dos Santos, mui digno vigário de Atibaia, acaba de receber o título de Cônego Honorário pela Catedral de Campinas; considerando que essa distinção aos méritos do nosso querido conterrâneo interessa profundamente à cidade que o viu nascer e acompanha sua brilhante carreira eclesiástica; considerando que o Revmo. Cônego tem uma verdadeira veneração pela sua terra natal a que tem sabido honrar como mais não pode ser; considerando que S. Revma. Goza de geral estima e simpatia no seio do povo de Nazareth  fica designada uma comissão composta pelo Prefeito Municipal, Francisco Derosa, Messias de Carvalho, Presidente da Câmara, Bento Gonçalves, Vice Presidente, Generoso de Moraes, Vereador, Joaquim Avelino Pinheiro, Coletor Estadual Luiz Rodrigues dos Santos, Diretor do jornal “A Folha”, Benedito Silvino dos Santos, Delegado de Polícia, e pelo Padre João Maria Valente, Vigário de Nazaré, para em comissão representativa dos munícipes nazareanos, seus conterrâneos, apresentarem as felicitações e saudações pela promoção”.

O Padre João Maria, discursou enaltecendo os predicados morais dizendo: “V. Excia. É o melhor estímulo para os jovens e a mais ridente glória para os mais velhos. Sois o exemplo e a vitória. Nazareth, a terra das flores, do sol deslumbrante e das paisagens feitas de luz e de saudade, o vosso berço e o vosso altar, estreita-vos ao coração na plenitude do seu júbilo, contemplando desvanecida e orgulhosa a glória do filho estremecido.”

Sua passagem por Atibaia foi marcada por dinamismo, pois além das atividades religiosas, foi plena de realizações cívicas e de desenvolvimento à cidade; construiu a Casa Paroquial, reformou a Igreja do Rosário, fundou a Irmandade São Vicente de Paula, inaugurou o Santo Cruzeiro na Praça dos Três Poderes atrás da Prefeitura, e organizou o Gabinete de Leitura e a 1ª Biblioteca Pública de Atibaia.          

Em 1927 foi inaugurada a Estrada de São Paulo à Bragança, e Atibaia recebeu a visita do Presidente do Estado Júlio Prestes. Padre Chico foi escolhido para ser o orador em nome da cidade. E o discurso recebeu aplausos da multidão e do próprio Presidente, que empolgado desceu da varanda do Clube Recreativo e veio até a praça abraçar o padre nazareano.

Foi um exímio sacerdote e educador. Levava sempre a sua palavra de Fé e de Patriotismo num sadio educar de seu povo, de seu rebanho, do qual era um autêntico pastor. Em sete de setembro de 1922, ao comemorar o centenário da independência pátria e ao inaugurar o novo cruzeiro em frente ao cemitério de Atibaia, durante uma missa campal, pronunciou o discurso “Religião e Pátria” assim se referindo: “…Amo-te, ó cruz, porque és um pedaço de minha pátria…Salve, pois, emblema augusto, sacrossanto, de religião e de patriotismo” …

 Prestou solidariedade aos combatentes das Revoluções de 1924 e de 1932, doando seu anel e fivela de ouro de seu sapato para a campanha “ouro para São Paulo”.
Foi Vigário em nossa Paróquia de Nazaré em 1927, sendo substituído pelo Padre João Maria Valente. Neste ano, o Bispo D. José Maurício da Rocha nomeou-o como Cônego Honorário pela Sé de Campinas. Uma comissão de políticos Nazareanos, em 22 de novembro de 1927 foi até Atibaia para levar-lhe as saudações nazareanas. Na ocasião o Padre João Maria Valente o saudou com um discurso eloquente, enaltecendo os predicados morais do santo e sábio sacerdote, dizendo:
 “V. Excia é o melhor estímulo para os novos e a mais ridente glória para os mais velhos. Sois o exemplo e a vitória. Nazareth, a terra das flores, do sol deslumbrante e das paisagens feitas de luz e de saudade, o vosso berço e o vosso altar contempla desvanecida e orgulhosa a glória do filho estremecido.”  
E o Padre Chico, comovido até as lágrimas, agradeceu num improviso, rico de imagens sublimes. Ele era conhecido e referido carinhosamente como o “Padre Chico”. Foi um exímio orador, jornalista, mestre e professor. Deixou discursos, poemas e obras musicais. Compôs o Hino a São João Batista.

Em março de 1933 o Jornal “O Município” de Nazaré publicou o seguinte edital: “Pela Paróquia – Com justo pesar de toda a população, deixou o cargo de vigário desta paróquia, o nosso eminente e virtuoso conterrâneo Revmo. Snr. Cônego Francisco Rodrigues dos Santos, uma das maiores figuras do clero paulista. Motivos de grande relevância levaram o Revmo. Snr. Dom José Maurício da Rocha, Bispo da Diocese de Bragança a tomar essa resolução afim de que o popular sacerdote ocupe o elevado posto de Reitor do Colégio São Luiz, acreditado e importante estabelecimento de ensino de nossa Diocese” …
O Padre Chico, em 1933, deixou o ministério sacerdotal e casou-se com Isaura Mariano Cardoso da Silva, mudando-se para Avaré, onde passou a lecionar. Criaram dois filhos, Mirian Nazaré e um filho adotivo, Hélio.  Ele deixou o ministério da Igreja mas não abandonou suas convicções religiosas. Visitava sempre s cidades de Atibaia e Nazaré.  Alguns dias antes de falecer reconciliou-se com a Igreja Católica e foi sepultado em Avaré com suas vestes sacerdotais.
O escritor e professor João Batista Conte, fundador do Museu de Atibaia, descreveu em um de seus livros uma brilhante biografia do Padre e Professor Chico: “O Padre Chico que Atibaia conheceu”.

O Padre Francisco Rodrigues dos Santos, (Padre Chico), tem seu nome perpetuado em ruas de Nazaré e em Atibaia:

A Rua em Nazaré Paulista:
Inicia-se na Rua Maria Teresa da Conceição, altura do nº 236, defronte ao Depósito de Gás, à vidraçaria e após o Restaurante Sinhá  Gourmet e a casa de antenas de Renato Barbosa, cruza com a Rua Antônio Buava e se estende até a Rua Jacob Rodrigues dos Santos, sede da Delegacia de Polícia. Uma rua de pequena extensão, residencial, sem estabelecimento comercial ou público, e consideravelmente diminuta em face da grandiosidade do personagem que lhe deu o nome, e, sem nenhuma placa indicativa.
A Rua em Atibaia:
Rua lateral à Estação Rodoviária que se estende até a Capela do Externato São José.

A Câmara de Atibaia, pela Lei nº 0568/61 deu o seu nome à antiga Rua São Paulo.

 

Extraído e atualizado, do livro prelo “De Nazareth à Nazaré Paulista” de Oscar Pinheiro.

Nazaré paulista, junho de 2016.

 

One thought on “24. FRANCISCO RODRIGUES DOS SANTOS – O “Padre Chico”

  1. Gostaria de obter mais informações sobre “Padre Chico”, inclusive fotografias.
    Obrigado.
    Walter.

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